Blog

Blog

Parâmetros UTM no Google Analytics 4 (GA4): Guia Completo

UTMs são parâmetros de texto anexados ao final de uma URL para informar ao Google Analytics de onde veio cada visita. A sigla nasceu no Urchin, software de web analytics que o Google comprou em 2005, e sobreviveu a todas as versões da ferramenta desde então. Este artigo cobre os nove parâmetros que a documentação do Google reconhece hoje, o que o GA4 faz com cada um depois que a visita chega, e por que uma campanha paga corretamente configurada pode terminar no relatório como tráfego orgânico.

O que é UTM e de onde vem a sigla

UTM é o conjunto de parâmetros de campanha que o Google Analytics lê da URL para preencher as dimensões de origem de tráfego. Eles ficam depois do ponto de interrogação, em pares de parâmetro e valor separados por &, no formato https://ferraoferrao.com.br/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=liquidacao.

A origem da sigla é o Urchin Software Corporation, empresa de web analytics de San Diego que foi adquirida pelo Google em 28 de março de 2005. O produto virou o Google Analytics e o formato de parâmetros veio junto, sem mudança de nome. O Google nunca oficializou o que a sigla significa. "Urchin Tracking Module" é a expansão mais citada, "Urchin Traffic Monitor" aparece com frequência em relatos da época, e a documentação atual simplesmente chama os itens de parâmetros UTM.

Os parâmetros UTM e o que cada um identifica

A documentação do Google lista nove parâmetros que você pode anexar a uma URL de destino, mas apenas sete chegam aos relatórios. O próprio Google registra que utm_creative_format e utm_marketing_tactic não são informados nas propriedades do Google Analytics no momento.

ParâmetroO que identificaExemploChega ao relatório
utm_sourceO referenciador, ou seja, de onde veio o cliquenewsletter4Sim
utm_mediumA mídia de marketingcpcSim
utm_campaignA campanha, promoção ou código promocionalliquidacao-de-veraoSim
utm_idO ID da campanha, usado para casar com upload de dados de custo2026-q3-01Sim
utm_termA palavra-chave pagacurso+tecnicoSim
utm_contentO criativo ou a variação do linkbotao-topoSim
utm_source_platformA plataforma que originou o tráfegoGoogle+AdsParcialmente
utm_creative_formatO tipo de criativovideoNão
utm_marketing_tacticO critério de segmentaçãoremarketingNão

O caso do utm_source_platform merece a ressalva do "parcialmente". A documentação recomenda preenchê-lo, e ao mesmo tempo avisa que, hoje, os relatórios cross-channel continuam exibindo o valor "Manual" na dimensão de plataforma de origem mesmo quando o parâmetro é enviado corretamente. O Google declara que passará a informar o valor no futuro, sem prazo.

utm_source

O utm_source identifica o referenciador, isto é, a plataforma ou a peça específica que originou o clique. A recomendação do Google é usar um valor exclusivo por plataforma e distinguir subplataformas: fb para Facebook e insta para Instagram, em vez de um meta genérico que junta as duas. Esse parâmetro é obrigatório porque é ele que o GA4 compara com as listas de origens conhecidas para decidir o canal.

utm_medium

O utm_medium identifica a mídia, não o objetivo da campanha. É uma distinção que gera erros em contas geridas por agências, porque as plataformas de anúncio nomeiam campanhas por objetivo (conversão, tráfego, alcance, engajamento) e esses nomes acabam parando no campo errado. Os valores que o GA4 reconhece são de natureza diferente: cpc, cpm, cpa, email, referral, banner, display. O Google recomenda um utm_medium exclusivo por canal, no padrão paid_social ou organic_search.

utm_campaign

O utm_campaign nomeia a ação de marketing e serve para agrupar cliques de origens diferentes sob a mesma iniciativa. A recomendação do Google é usar o nome exato da campanha como ela existe na plataforma de anúncio, de preferência por parâmetro dinâmico, para evitar que uma única ação apareça quebrada em várias linhas do relatório. Ao contrário de utm_source e utm_medium, o nome da campanha não participa da maioria das regras de canal.

utm_term

O utm_term carrega a palavra-chave paga que originou o clique. É o menos usado dos sete parâmetros que chegam ao relatório, porque em campanhas de pesquisa do Google Ads a codificação automática já entrega a palavra-chave com mais riqueza. Ele se justifica em plataformas de busca fora do Google, ou quando existe motivo para não usar codificação automática. O Google recomenda formato estrito e consistente, com letra minúscula e grafia idêntica em todas as inserções.

utm_content

O utm_content diferencia criativos ou posições de link dentro da mesma campanha. Ele serve para diferenciar variações de um mesmo anúncio ou o elemento exato em que o usuário clicou. Dois botões diferentes de call-to-action dentro de um mesmo e-mail, por exemplo, precisa de valores distintos em utm_content para que o relatório diferencie qual dos dois trouxe a conversão. É o parâmetro certo para separar variações de teste A/B sem inflar a contagem de campanhas.

Como o GA4 lê os parâmetros UTM

O GA4 não guarda a UTM como texto solto na URL. Ele converte os parâmetros em dimensões de origem de tráfego e as replica em três escopos distintos: evento, sessão e usuário. O grupo de canais padrão de escopo de evento usa o modelo de atribuição configurado na propriedade, que por default é atribuição baseada em dados. Já o grupo de canais padrão da sessão e o do primeiro usuário usam atribuição de último clique em canais pagos e orgânicos. Ler o número errado de escopo é uma das causas mais comuns de dois relatórios da mesma conta não baterem.

Os valores dos parâmetros diferenciam maiúsculas de minúsculas. utm_source=google e utm_source=Google são valores diferentes e geram linhas separadas no relatório. Caracteres especiais precisam ser codificados na URL, de modo que o valor "Google Ads" viaja como utm_source_platform=Google+Ads.

Um detalhe de interface que economiza tempo de investigação: os parâmetros UTM são omitidos das dimensões "Página de destino + string de consulta" e "Caminho da página + string de consulta". Quem procura a UTM por ali não encontra e conclui que a etiquetagem falhou. A informação está na dimensão "Localização da página", e os valores de campanha aparecem em Aquisição, no relatório de aquisição de tráfego, pelas dimensões de origem, mídia e campanha da sessão.

Quando a codificação automática está ativa mas o GCLID ou o DCLID não pode ser usado como esperado, o Google Analytics passa a derivar os valores de origem de tráfego dos parâmetros UTM presentes na URL. É por isso que a orientação oficial é categórica: se você define um parâmetro UTM, defina todos os relevantes, especialmente utm_source, utm_medium, utm_campaign, utm_id e utm_source_platform. Os parâmetros não informados viram (not set) no relatório. Tráfego que chega sem UTM nenhuma segue outro caminho, com o GA4 aplicando as próprias regras sobre o referenciador, que é o que acontece com as visitas vindas de assistentes de IA, tratadas em como o GA4 classifica o tráfego de assistentes de IA.

Diagrama mostrando o caminho de um parâmetro UTM na URL até as dimensões de origem de tráfego do GA4 nos escopos de evento, sessão e usuário
Do parâmetro na URL às dimensões de origem de tráfego: o mesmo valor é gravado em três escopos com modelos de atribuição diferentes.

Por que o GA4 joga sua campanha em outro canal

O grupo de canais padrão não lê o nome da campanha nem a sua intenção, ele testa utm_source e utm_medium contra uma lista fixa de regras e joga em "Não atribuído" ou "Unassigned" tudo que não bate com nenhuma delas. Esse grupo de canais padrão não é editável no GA4. O Google mantém uma definição universal para todas as propriedades e só permite criar grupos de canais personalizados, esses sim baseados em regras próprias.

Para cair em Redes sociais pagas, a origem precisa estar na lista de redes sociais reconhecidas pelo Google e a mídia precisa satisfazer a expressão regular ^(.*cp.*|ppc|retargeting|paid.*)$.

Para cair em Redes sociais orgânicas, basta que a origem esteja na lista de redes sociais ou que a mídia seja um dos valores social, social-network, social-media, sm, social network ou social media.

A regra do canal pago exige as duas condições, a do orgânico exige apenas uma. Por isso uma origem válida com mídia inválida não fica sem canal, ela cai no canal orgânico.

Uma armadilha específica de quem consulta a documentação em português: a página de ajuda traduz automaticamente os valores literais das regras, e os valores que o GA4 realmente compara são os do original em inglês. A versão em português exibe nova segmentação no lugar de retargeting e paga.* no lugar de paid.*. A prova está na própria página, que descreve a mídia do canal Direto como (nenhuma) quando o valor que o GA4 exibe nos relatórios é (none). Etiquetar em português seguindo a tradução ao pé da letra não faz a regra corresponder.

E aqui cabe desfazer um mito frequente: as definições de canal não diferenciam maiúsculas de minúsculas. CPC e cpc batem na mesma regra e caem no mesmo canal. O que diferencia caixa é a gravação do valor na dimensão, o que faz Meta e meta virarem duas linhas distintas no relatório. São duas camadas diferentes, e confundi-las leva a procurar o problema no lugar errado.

Um caso real de classificação incorreta

Em duas propriedades de um mesmo cliente do setor educacional, com a mídia paga montada pela agência de mídia, a nomenclatura de utm_medium derrubou volume relevante de sessão no canal errado.

utm_source / utm_mediumSessõesCanal atribuído pelo GA4Canal pretendido
meta / conversao9.381Redes sociais orgânicasRedes sociais pagas
meta / trafego3.455Redes sociais orgânicasRedes sociais pagas
onestation / trafego17.480Não atribuídoDisplay

O diagnóstico é o mesmo nos três casos e não tem nada a ver com caixa, acento ou erro de digitação. Os valores conversao e trafego são objetivos de campanha, e o campo utm_medium espera a mídia. Nenhum dos dois contém cp, nenhum é ppc ou retargeting, nenhum começa com paid, então a condição de mídia do canal pago falha. Nas linhas de meta, como o GA4 reconhece meta como rede social e a regra para orgânica exige só a origem, a sessão foi classificada como Redes sociais orgânicas. Na linha de onestation, a origem não consta em nenhuma lista e a mídia não satisfaz nenhuma regra, então não sobra canal e o GA4 devolve "Não atribuído".

Dentro da mesma conta, campanhas etiquetadas com cpm, cpa e cpc convivem nos relatórios com as quebradas. Os valores cpm, cpa e cpc satisfazem a expressão regular, então cumprem a condição de mídia do canal pago. Mesma plataforma, mesma agência, mesmo mês, e a diferença entre o relatório certo e o errado está em uma palavra.

A correção custou trabalho recorrente. Como o grupo de canais padrão não é editável, as duas propriedades precisaram de reconstrução da classificação de Paid Social e Display na camada de relatório, no Data Studio, (antigo Looker Studio). O caminho alternativo dentro do GA4 seria criar grupos de canais personalizados, que a documentação afirma poderem ser aplicados retroativamente aos relatórios. Nos dois caminhos, o custo é permanente enquanto a etiquetagem na origem não mudar.

Fluxo de decisão do grupo de canais padrão do GA4, testando se a origem está na lista de redes sociais do Google e se a mídia satisfaz a expressão regular do canal pago, com os quatro destinos possíveis e os três casos reais medidos
As duas condições que decidem o canal, e o que aconteceu quando o objetivo da campanha foi gravado no campo da mídia.

Erros de UTM que quebram relatórios

Os erros de UTM não aparecem como erro em lugar nenhum da interface. O relatório carrega, os números somam, e a única pista é uma linha em um canal que não faz sentido. Estes são os quatro que mais aparecem.

ErroO que acontece no GA4Como evitar
Objetivo de campanha no utm_mediumA regra de canal pago falha e a sessão cai em canal orgânico ou em "Não atribuído"Usar valores de mídia (cpc, cpm, cpa, email, paid_social)
UTM parcial, só com utm_sourceOs parâmetros ausentes viram (not set) nas dimensões cross-channelPreencher origem, mídia, campanha e ID em toda peça
Variação de grafia entre inserçõesMeta e meta viram linhas separadas e fragmentam o volume da campanhaConvenção escrita, tudo em minúsculo, sem acento
UTM manual em link internoA visita é reatribuída à campanha interna e o crédito da origem real se perdeNunca colocar UTM em link dentro do próprio site

O erro do link interno é o mais silencioso. Alguém quer medir o clique num banner da home e resolve etiquetar o link do banner com UTM. A partir daí, o visitante que chegou pela busca orgânica passa a carregar informação de campanha interna nas dimensões de origem, e o crédito da aquisição real se dilui. Medição de elemento dentro do site é trabalho de evento, não de UTM, e o caminho correto é o de eventos no GA4, configuráveis pelo Google Tag Manager.

O conflito com codificação automática é o segundo mais caro. Em campanhas do Google Ads com auto-tagging ativo, o GCLID já entrega dimensões que a UTM manual não tem. A recomendação do Google é manter a codificação automática ativa e preencher também os parâmetros UTM, para cobrir os casos em que o GCLID não pode ser usado como esperado. Para tráfego do Google Ads, os valores recomendados na documentação são utm_source=google, utm_medium=cpc, utm_campaign com o nome da campanha, utm_id com o ID e utm_source_platform=Google+Ads.

O que os parâmetros UTM fazem com suas URLs no Google

Do ponto de vista da busca, uma URL com UTM é uma URL diferente da mesma página sem UTM. O parâmetro não muda o conteúdo, mas muda o endereço, e um endereço novo é um candidato novo a rastreamento e indexação sempre que ele for descoberto por algum link.

O mecanismo que resolve isso já existe e é o rel=canonical, que consolida as variações parametrizadas na URL limpa. Duas regras de higiene completam a solução: URL com UTM nunca entra no sitemap XML, que deve listar apenas as versões canônicas, e URL com UTM nunca aparece em link interno (o que já era recomendado pelo motivo de atribuição da seção anterior). O tratamento de parâmetros na estrutura de endereços está em o que é URL amigável.

O risco que sobra é o que você não controla. Quando alguém copia da barra do navegador a URL etiquetada que você enviou por e-mail e publica esse endereço num artigo, a versão com UTM ganha link externo e pode ser descoberta. O canonical resolve a consolidação, mas o cenário é mais um argumento para encurtar a superfície: só etiquetar o que precisa ser medido, e não etiquetar página por hábito.

Como montar uma UTM sem errar

A regra que evita a maior parte dos problemas cabe em uma frase: utm_medium descreve o meio pelo qual o clique chegou, nunca o objetivo comercial da campanha. O objetivo vai no nome da campanha, onde nenhuma regra de canal o testa. Com essa separação clara, o resto é convenção.

CampoRegraExemplo válidoExemplo que quebra
utm_sourceUm valor exclusivo por plataforma, minúsculo, sem acentoinstagramInstagram Ads
utm_mediumUm valor de mídia por canal, aderente às regras do GA4paid_socialconversao
utm_campaignNome exato da campanha na plataforma, de preferência dinâmicomatriculas-2026-01Matrículas 2026
utm_idO ID da campanha na plataforma de origem23851vazio
utm_contentIdentificação do criativo ou da posiçãocarrossel-ateste

Antes de publicar a convenção para o time ou para a agência, vale testar cada valor de utm_medium contra a expressão regular do canal pretendido. É um passo de trinta segundos que evita a reconstrução de relatório que descrevi na seção do caso real. Confira o nosso gerador de UTM, que faz exatamente essa checagem no momento da montagem do link, avisando quando o valor escolhido não vai cair no canal esperado.

Se o objetivo for auditar o que já está etiquetado em vez de montar link novo, o caminho é o relatório de aquisição de tráfego com a dimensão de origem/mídia da sessão, filtrando pelas linhas em "Não atribuído" e pelos canais orgânicos que não deveriam ter volume pago. A análise de SEO cobre o outro lado do diagnóstico, o que acontece antes do clique.

Perguntas frequentes sobre UTM no GA4

Qual é a diferença entre utm_source e utm_medium?

O utm_source identifica de onde veio o clique, como instagram, newsletter4 ou parceiro-x. O utm_medium identifica por qual meio ele veio, como cpc, email ou paid_social. No GA4, a origem é comparada com listas de plataformas conhecidas e a mídia com regras de valor. Só a combinação das duas define o canal no grupo de canais padrão.

Por que minha campanha aparece como "Não atribuído" no GA4?

Porque nem a origem nem a mídia bateram com alguma regra do grupo de canais padrão. "Não atribuído" é o valor que o GA4 usa quando nenhuma regra de canal corresponde aos dados do evento. Na prática, quase sempre significa utm_medium com um valor que o Google não reconhece, como um objetivo de campanha no lugar de uma mídia.

UTM prejudica o SEO da página?

O parâmetro não altera o conteúdo da página, mas cria endereços adicionais para ela, que podem ser rastreados se receberem link. A solução é o rel=canonical apontando para a URL limpa, além de não incluir URLs com UTM no sitemap e nem em links internos. Página com canonical correto não sofre penalidade por existir uma variação parametrizada.

Posso usar acento e letra maiúscula nos valores UTM?

Tecnicamente sim, mas gera fragmentação. Os valores diferenciam maiúsculas de minúsculas, então Meta e meta viram duas linhas no relatório, e caracteres especiais precisam ser codificados na URL. As regras de canal, ao contrário, não diferenciam caixa. A prática recomendada pelo Google é padronizar tudo em minúsculo, sem acento.

Preciso de UTM em campanhas do Google Ads?

Com a codificação automática ativa, o GCLID já entrega mais dimensões do que a UTM manual conseguiria. A recomendação do Google é manter as duas: auto-tagging ligado e parâmetros UTM preenchidos, para cobrir os casos em que o GCLID não pode ser usado como esperado, o que aconteceria de outra forma com valores (not set) nos relatórios.

Quantos parâmetros UTM são obrigatórios?

A documentação diz que utm_source, utm_medium e utm_campaign devem ser usados sempre. Quando há qualquer UTM na URL e o identificador de clique não está disponível, o GA4 deriva as dimensões cross-channel exclusivamente dos parâmetros presentes, e os ausentes viram (not set). Por isso a orientação prática é preencher também utm_id e utm_source_platform.

Continue lendo

Web Analytics Canal AI Assistant do GA4: o que muda (e o que ele não mede) 10 min de leitura Web Analytics Eventos no GA4: o que são e como configurar 12 min de leitura