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Relatório de SEO: como fazer e o que incluir

Um relatório de SEO é o documento que transforma achados de diagnóstico em decisões. Cada problema encontrado aparece com evidência, prioridade, responsável e prazo. O que separa um relatório útil de uma apresentação bonita não é a quantidade de gráficos, é a rastreabilidade de cada linha até um valor medido e uma data de coleta.

O que é um relatório de SEO

Um relatório de SEO é o entregável de um trabalho de diagnóstico. É o documento que registra o que foi verificado, o que foi encontrado, em que ordem corrigir e quem corrige cada item.

Três coisas diferentes costumam receber o mesmo nome. Uma auditoria de SEO é o processo de verificação, camada por camada, do rastreamento até o conteúdo. Uma interpretação de um resultado de análise é a leitura que separa sintoma de causa e descarta falso positivo. O relatório é o artefato que resulta das duas etapas anteriores e circula fora da equipe técnica.

Três artefatos em sequência. A auditoria pergunta o que está errado e produz achados brutos por camada, para quem executa. A análise pergunta o que o achado significa e separa sintoma de causa, para quem decide. O relatório pergunta quem corrige e até quando, e produz decisão pedida, prioridade, responsável, prazo e evidência, para fora da equipe técnica
Auditoria, análise e relatório respondem perguntas diferentes e se destinam a públicos diferentes.

Uma auditoria pode ser executada com rigor e nunca virar relatório, e nesse caso o trabalho existiu sem produzir efeito nenhum. O contrário também acontece, e é mais comum: um relatório de trinta páginas montado a partir de uma varredura automática que não passou pela etapa de interpretação.

O que entra em um relatório de SEO

Um relatório de SEO deve ter sete blocos:

BlocoO que contémErro típico
Decisão necessáriaO que o leitor precisa aprovar, contratar ou priorizar depois de lerAbrir com resumo do trabalho feito em vez do pedido
Escopo e métodoURLs analisadas, ferramentas usadas, período dos dados, o que ficou foraOmitir o que não foi verificado
Achados por camadaRastreamento, indexação, on-page, performance, conteúdoMisturar camadas numa lista única sem ordem
EvidênciaURL, valor medido, ferramenta, data da coleta, captura de telaCaptura de tela sem o número que ela deveria provar
PrioridadeFaixa declarada, com critério escrito no próprio documentoMarcar tudo como alta
Responsável e prazoNome e data por achado, não por relatórioEntregar sem dono, esperando que alguém assuma
Medição do período anteriorO que foi corrigido e o que mudou no número desde entãoRecomeçar do zero a cada mês

O primeiro bloco contém o erro mais comum em relatórios. Um documento que comece descrevendo o trabalho executado obriga o leitor a percorrer o relatório inteiro para descobrir o que se espera dele. Um relatório que abre com um pedido de decisão resolve isso em pouicas linhas, e o resto do documento passa a ser a justificativa dessa decisão.

Desde 2025 é indicado reservar uma linha para as superfícies de busca com IA, ainda que curta. O tema tem entregável próprio e limitações próprias, e a função de mostrar o impacto da IA no tráfego orgânico no relatório é registrar que a medição existe e é parcial, não substituir a leitura de busca tradicional.

Como registrar a evidência de cada achado

Cada achado precisa de cinco campos de evidência:

A diferença entre um achado com evidência e um achado sem evidência aparece na primeira reunião de cobrança. "Imagens pesadas no site" não pode ser verificado, corrigido nem cobrado. "/produtos/tenis-corrida entrega LCP de 4,8 s no percentil 75 em dispositivos móveis, medido no PageSpeed Insights em 12 de agosto de 2026, com uma imagem de herói de 1,4 MB em .png" pode ser atacado no mesmo dia e reconferido no mês seguinte, no mesmo campo, com o mesmo método.

Achado sem evidência não vira tarefa.

Uma observação sem evidência, "imagens pesadas no site", não vira tarefa porque não diz onde nem quanto. Ao acrescentar os cinco campos numerados, URL afetada, valor medido, ferramenta que mediu, data da coleta e captura de tela, ela se torna um achado cobrável, com URL, LCP medido, ferramenta, data e o peso da imagem
Os cinco campos que separam uma observação de um achado cobrável.

O campo de data existe por um motivo específico: o valor medido tem validade. Um LCP coletado antes de um deploy descreve um site que não existe mais, e um relatório sem data de coleta não permite saber se o número descreve o estado atual ou o estado anterior à correção. A mesma regra vale para captura de tela, que deve mostrar a data no próprio recorte sempre que a ferramenta exibir.

Como o relatório expressa prioridade

A prioridade entra como campo de cada achado, com escala declarada e critério escrito dentro do próprio documento, não como ordem implícita da tabela.

Três faixas bastam, e o critério de cada uma precisa estar visível: o que bloqueia rastreamento ou indexação vem primeiro, porque nada mais funciona antes disso; o que afeta uma classe inteira de páginas vem depois, porque o esforço se paga em escala; o que afeta uma página isolada fica por último, salvo se essa página for a mais importante do site. Os critérios de decisão por trás dessas faixas devem estar desenvolvidos na auditoria de SEO e não precisam ser repetidos no relatório, só referenciados.

Marcar tudo como prioridade alta é o mesmo que não priorizar, e comunica que quem montou o relatório não quis assumir a escolha.

Com que frequência entregar um relatório de SEO

A cadência de um relatório de SEO é mensal, porque as fontes que ele consolida têm janelas de consolidação que vão de alguns dias a 28 dias.

O relatório de desempenho do Google Search Console guarda 16 meses de histórico, o que permite comparar o mesmo mês do ano anterior, conforme o anúncio do Search Central de 8 de janeiro de 2018. A visualização de 24 horas, lançada em 12 de dezembro de 2024, aparece com poucas horas de atraso, e a documentação do Google registra que o Search Console exibe pontos de dados antes de concluir a coleta, sinalizando isso com linha pontilhada. Fechar um relatório no dia seguinte ao fim do período significa consolidar números que ainda vão mudar.

O caso de Core Web Vitals é mais rígido. Os valores vêm do Chrome UX Report, que calcula cada métrica sobre os 28 dias anteriores em janela móvel, com atualização diária. Uma correção publicada hoje entra nesse número aos poucos, e o efeito completo só aparece quando a janela terminar de girar. Reportar Core Web Vitals semanalmente exibe quatro números diferentes para o mesmo período de coleta parcialmente sobreposto.

Cadência semanal se justifica em um caso, e por outro motivo: incidente aberto, com queda em curso e correção em andamento. Ali o documento não é relatório mensal, é acompanhamento, e a métrica que importa é a evolução do próprio incidente.

Comparação das janelas de consolidação de dado: a visualização de 24 horas do Search Console fecha em horas com coleta incompleta, o relatório de desempenho fecha em alguns dias, e o Core Web Vitals usa janela móvel de 28 dias. Uma cadência semanal produz quatro entregas dentro de uma única janela de 28 dias.
Janelas de consolidação de dado e cadência de entrega. Fontes: Google Search Central (23/09/2019 e 12/12/2024) e documentação do CrUX no Chrome for Developers.

O que não deve entrar em um relatório de SEO

Ficam fora do relatório o score de ferramenta apresentado como meta, a captura de tela sem valor medido, a posição média isolada e qualquer número que o leitor não consiga converter em tarefa.

O ponteiro do score é o caso mais difícil de recusar, porque é o item que usuários não técnicos mais gosta de ver. Ele agrega dezenas de verificações de peso arbitrário numa escala que a ferramenta inventou, e por isso um site pode subir de 62 para 81 pontos sem que uma única página tenha melhorado na busca. A métrica é da ferramenta, não do Google, e usar a escala de uma ferramenta como objetivo do trabalho troca o resultado pela medida do resultado. O score pode servir como sinal de triagem interna. Como meta contratada, não.

A posição média isolada tem defeito parecido. Ela sobe quando o site perde impressões em consultas amplas e cai quando ganha visibilidade em consultas novas de cauda longa, o que faz o mesmo número descrever cenários opostos dependendo da composição de consultas do período. Sem o recorte por consulta e por página, a posição média informa muito pouco.

Achado sem evidência não vira tarefa, e número sem tarefa possível não é achado.

Modelo de relatório de SEO

O modelo mínimo tem três partes: uma página de decisão, uma tabela de achados e um anexo de evidências.

SeçãoExtensãoConteúdo
Decisão1 páginaO que aprovar, o que priorizar, o que foi entregue desde o último relatório
Escopo e métodoMeia páginaURLs, ferramentas, período dos dados, limites declarados
Achados1 linha por achadoCamada, descrição, URL, valor medido, prioridade, responsável, prazo
EvidênciasAnexoCaptura de tela e valor bruto por achado, com data de coleta
Próximo cicloMeia páginaO que será medido no próximo relatório e o que confirma a correção

A tabela de achados é o coração do documento, e o formato de uma linha por achado impede que dois problemas sejam descritos no mesmo parágrafo (o que é a forma mais comum de um deles nunca ser corrigido). Se um achado não couber em uma linha com todos os campos preenchidos, ele ainda é uma hipótese, e hipótese vai para a seção de investigação do próximo ciclo, não para a lista de correções.

Uma verificação rápida de estrutura on-page antes de montar a tabela ajuda a preencher os valores medidos com consistência, e o SEO Check cobre a camada de meta tags, cabeçalhos e dados estruturados por URL.

Perguntas frequentes sobre relatório de SEO

Qual a diferença entre relatório de SEO e auditoria de SEO?

A auditoria é o processo de verificação técnica, executado camada por camada. O relatório é o documento que comunica o resultado dessa verificação, com prioridade, responsável e prazo por achado. Toda auditoria bem-feita deveria gerar um relatório, mas o relatório também pode consolidar dados de acompanhamento mensal sem que uma auditoria nova tenha sido feita.

Quantas páginas deve ter um relatório de SEO?

O suficiente para caber uma página de decisão, a tabela de achados e o anexo de evidências, o que normalmente fica entre cinco e doze páginas. Extensão não é sinal de qualidade: um relatório de trinta páginas gerado por varredura automática, sem interpretação e sem responsável definido, entrega menos que uma tabela de dez linhas com evidência completa.

Quais ferramentas usar para montar um relatório de SEO?

Search Console para dados de impressão, clique, posição e indexação, PageSpeed Insights ou o Chrome UX Report para Core Web Vitals de campo, um rastreador para verificação estrutural em escala e uma verificação on-page por URL. A escolha da ferramenta importa menos que registrar qual foi usada em cada valor medido.

O relatório de SEO precisa mostrar a posição das palavras-chave?

Precisa mostrar posição por consulta e por página, não a posição média do site inteiro. A média agregada muda com a composição de consultas do período e pode subir justamente quando o site perde alcance, o que a torna imprópria como indicador de resultado do trabalho.

O que reportar quando não houve ganho de tráfego no período?

O que foi corrigido, o que a correção mudou no valor medido do achado correspondente e qual é o intervalo esperado até o efeito aparecer na busca. Correções de rastreamento e indexação levam semanas para se refletir em tráfego, e a janela de 28 dias do Core Web Vitals atrasa ainda mais o sinal de performance. Um período sem ganho de tráfego e com achados fechados é progresso documentado.

Existe modelo pronto de relatório de SEO?

Existem muitos, e quase todos priorizam o layout sobre a rastreabilidade. Antes de adotar um, verifique se ele tem campo de valor medido, campo de data de coleta e campo de responsável por achado. Modelo sem esses três campos produz documento apresentável e não cobrável.

O relatório é o que sobra do trabalho

O valor de um relatório de SEO não está no que ele mostra, está no que pode ser cobrado nele no mês seguinte. É o único teste que separa um documento de uma apresentação: pegar o relatório do ciclo anterior, percorrer a tabela de achados linha por linha e verificar, para cada um, se o valor medido mudou, se o responsável entregou e se a data foi cumprida. O que não passa nesse teste não era achado, era observação.

Achado sem evidência não vira tarefa. É por isso que a coluna mais importante do relatório é a mais chata de preencher.

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