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A página que faltava: 30 mil cliques em um ano sem produzir conteúdo novo

Às vezes o trabalho de SEO não começa pela criação de conteúdo novo, mas pela leitura do que os dados já estão dizendo.

Foi o caso deste projeto, em uma instituição de educação profissional. Ao analisar o comportamento dos usuários, ficou evidente que havia um volume considerável de pessoas procurando por serviços que a empresa já oferecia, mas que encontravam uma porta de entrada clara no site. O tráfego potencial já existia, só faltava uma forma de recebê-lo.

Oferta existente, demanda dispersa

A instituição oferece um portfólio amplo de educação profissional, com programas de aprendizagem para jovens, qualificações técnicas, bolsas em cursos e conteúdo online. Boa parte desse portfólio é gratuita, e cada programa tinha sua própria página dentro do site.

O problema é que a busca real do usuário não funcionava dessa forma. Quem queria se qualificar não digitava o nome de um programa específico — digitava "cursos gratuitos", "cursos gratuitos online com certificado", "cursos gratuitos [estado]". Procurava uma porta de entrada para comparar opções, não um produto pelo nome.

O que os dados mostravam

A ideia surgiu primeiro do monitoramento das buscas internas feitas no próprio site. Boa parte dos usuários usava o campo de busca para procurar "cursos gratuitos" e variações, mas a página de resultados levava a notícias antigas publicadas pelo próprio site, pois eram as únicas que continham esses termos. Essas notícias continham links para conteúdos defasados, sem oferta atual, que levavam o visitante à frustração. As pessoas estavam dentro do site, perguntando pelo que a instituição já oferecia, e saíam sem encontrar.

O Google Search Console confirmou o tamanho da demanda também no canal externo: havia volume relevante e consistente. Esse tipo de query não é uma pesquisa qualquer, é uma pesquisa com intenção. Do ponto de vista do Google, contudo, não havia para onde mandar essas pessoas.

A solução

A proposta foi simples e estrutural: criar uma página única reunindo todos os programas gratuitos da instituição e garantir que o conteúdo fosse claro tanto para o usuário quanto para os mecanismos de busca.

Este projeto, porém, tem uma particularidade interessante. A publicação de conteúdo no site passa por aprovação editorial, então não havia muita liberdade para produzir textos extensos, abrangendo termos de cauda longa e altamente otimizados para SEO. O trabalho então precisou ser mais sutil e minucioso, garantindo que os termos essenciais aparecessem nos pontos estruturais que realmente importam (título, URL, meta description, H1, H2 e primeiro parágrafo), e organizando os programas existentes com foco na intenção do usuário.

Os resultados

A página foi publicada em abril de 2025 e o seu crescimento foi progressivo e contínuo. Em menos de um ano, acumulou 694 mil impressões e 30,2 mil cliques orgânicos, com CTR média de 4,4% e ranqueamento consistente nas primeiras posições para as buscas-alvo.

Gráfico de linha mostrando a evolução semanal de cliques e impressões da página desde abril de 2025, com curvas crescentes e progressivas.
Evolução semanal de cliques e impressões desde a criação da página, em abril de 2025.

Atualmente a página costuma figurar entre as cinco mais acessadas do site inteiro, com cerca de 75% do tráfego recebido de buscas orgânicas, sem depender de divulgação interna, mídia paga ou destaque na página inicial.

Os números operacionais acompanharam. Um dos serviços listados na página registrou 1.330 pedidos de contato no período após a criação, contra 253 no mesmo intervalo anterior, um crescimento de mais de 425% em conversões para um serviço que já existia, mas que simplesmente não estava sendo encontrado.

A página também virou fonte para a IA

Além do tráfego do Google, esta página passou a ser também uma das principais entradas de visitantes vindos de sistemas de IA. É a terceira página do site em acessos a partir de ferramentas como ChatGPT, Perplexity e Gemini. Para várias das buscas-alvo, a página também aparece no AI Overview do Google, a resposta gerada que ocupa o topo da página de resultados.

Com isso, em vez de competir só no canal tradicional de busca, a página passou a ocupar dois lugares ao mesmo tempo: os resultados orgânicos do Google e o conteúdo das respostas geradas por IA, onde, mesmo sem clique, a marca aparece como referência.

O que fica

Nem sempre a resposta para um problema de tráfego é produzir mais conteúdo ou investir em campanhas pagas. Antes disso, vale perguntar: o site já está capturando o tráfego que poderia estar capturando?

Esse case acaba mostrando, na prática, que SEO bem feito é muitas vezes mais sobre estrutura do que sobre volume de texto.

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Case de SEO Reestruturação gerou 260% mais cliques orgânicos 6 min de leitura